Último Passe 

2016-08-20
Meio Slimani chegou ao Sporting em Paços

Meio Slimani foi o suficiente para o Sporting sair de Paços de Ferreira com uma difícil vitória por 1-0. Claro que não foi só ele. Houve um Adrien dos grandes dias, dois defesas-centrais em tarde-sim e melhorias, por exemplo, na combinação entre defesas-laterais e extremos, sobretudo no plano defensivo, onde Gelson parece mais crescido. Mas a questão é que no jogo em que deixou de ter João Mário e recuperou o avançado argelino, o Sporting só teve direito a metade: a metade que luta até à insanidade.

Aos que suspeitavam que Slimani estaria desencantado e especulavam que por isso podia não se entregar a 100 por cento, esta foi uma boa resposta. O golo decisivo, obtido por Adrien mesmo a fechar a primeira parte, nasceu de uma insistência do argelino, de uma bola que só ele acreditou que podia ir buscar à linha de fundo, em tackle. Bruno César cuzou-a para Gelson, que a entregou para uma bela finalização de Adrien. Mas a resposta de Slimani não pode ser só a esses. Ao Sporting faltou o Slimani goleador, o jogador que resolve jogos em nome próprio. Teve pelo menos duas ocasiões claras para acabar com o jogo, mas em ambas perdeu a possibilidade de fazer o 2-0. Numa delas, após passe de Gelson, já nem tinha guarda-redes à frente, mas não conseguiu dar bem na bola e esta perdeu-se.

Na verdade, ao Sporting fez mais falta esse meio-Slimani que João Mário, que Jorge Jesus disse – e sem se rir – que não tinha sido convocado por causa de uma situação física no último treino, mas que está em vias de se transferir para o Inter de Milão. Teve razão o treinador leonino quando disse que os leões estiveram melhor a defender do que a atacar – e isso notou-se sobretudo nos passes perdidos a meio-campo – mas criaram ainda assim situações de golo suficientes para não terem passado pelo aperto final, quando o Paços se lançou em busca do empate com dois pontas-de-lança (Cícero e Whelton) a forçarem a igualdade numérica na frente pelo corredor central.

Nessa altura, pela primeira vez no jogo, o Paços de Ferreira fez figura de mandão e instalou-se no meio-campo leonino, ganhando quase sempre espaço para cruzar. É verdade que nem aí criou autênticas situações de perigo para Rui Patrício, porque o setor mais recuado dos leões funcionou sempre bem, com grandes jogos de Coates e Ruben Semedo. Só que foi tendo livres e cantos em número suficiente para afligir Jesus e para o fazer lamentar-se com os seus botões acerca do jeito que lhe teria dado ter o Slimani inteiro.