Último Passe 

2015-09-02
A hora dos jovens lobos no meio campo da seleção

A Federação Portuguesa de Futebol quis jogar ao ataque na premente questão do meio-campo e, face aos impedimentos dos lesionados William e Moutinho e do castigado Tiago, mandou Adrien e João Mário, dois dos prováveis substitutos, à sala de imprensa para confrontarem os jornalistas. Fez bem. Não pelo discurso dos dois jogadores - mais vazio seria de todo impossível -, mas porque o ato veio mostrar confiança em dois jovens lobos numa seleção plena de consagrados e a acusar alguma veterania.
A verdade é que se o jogo da seleção a meio-campo tem sido difícil de perceber pelos jogadores (e tem), isso só tem tido a ver com o elevado grau de exigência da articulação com este ataque de peças móveis a que forçam a presença do CR7 e a ausência de um ponta-de-lança de qualidade internacional. Nesse aspeto, Adrien e João Mário, bem como Danilo e Bernardo Silva dão todas as garantias de poderem substituir os titulares sem que haja perda exagerada de capacidades. Se Danilo é uma primeira versão do futebol de passada larga de William, João Mário é capaz do jogo vertical, a queimar linhas com bola, que celebrizou Tiago. Adrien não é Moutinho, sobretudo na reacção à perda, mas continuo a achar que é quem mais dele se aproxima nos médios lusos. E Bernardo acrescenta em criatividade o que perde em velocidade para Danny, que está disponível mas tarda em justificar a titularidade.
Claro que se estes fossem melhores que os titulares e não apenas boas réplicas, a conversa nem faria sentido. Mas tenho a certeza de que com eles há futuro para a equipa nacional. Talvez já no par de jogos que aí vem, com a França e a Albânia.