Último Passe 

2015-09-06
A falta de gente na frente, segundo Fernando Santos

Fernando Santos reconheceu hoje, na conferência de imprensa que antecipou o Albânia-Portugal, os problemas que a seleção nacional revelou no jogo com a França, na sexta-feira. Para explicar aquilo que em Alvalade catalogou apenas como “falta de chegada à área”, admitiu que a equipa “baixou demasiado as linhas”, ainda que tenha particularizado que só o fez “a partir de certa altura no jogo”, e que isso prejudicou a tal presença na frente. Além disso, reconheceu ainda que o desvio de Adrien Silva para a esquerda, em apoio ao desamparado Eliseu, nos momentos defensivos, “o impediu depois de estar tão presente junto aos atacantes como a equipa precisava”.

A estes dois problemas, o selecionador nacional juntou um terceiro. “A equipa não tem de ir sempre à procura da linha de fundo para cruzar. Há momentos em que tem de ser mais objetiva, tem de partir diretamente para a baliza, porque se tem jogadores que são muito fortes em um para um, estes já não conseguem resolver da mesma maneira se for em um para dois ou em um para três”. Foram estas as explicações táticas e estratégicas que Fernando Santos deu aos jornalistas, numa conversa longa, onde disse ainda que “não tem medo” e que está na Albânia “para ganhar”. Num placard deixado na sala do Hotel Sheraton onde decorreu a conferência de imprensa – que também serviu para o selecionador falar aos jogadores – estavam, bem à vista (propositadamente à vista?), as palavras “Ganhar / Organização / Concentração / Paixão / Confiança” e Santos aproveitou-as para espantar fantasmas. “Se escrevi ali ganhar é porque viemos para ganhar. Não viemos para empatar ou para perder”.
Aquilo que nenhum treinador revela de véspera é o que vai fazer para ganhar. Santos não fugiu à regra, mas é de prever que possa fazer o mínimo de alterações relativamente ao jogo com a França, pois os acertos serão sobretudo estratégicos. Se o selecionador reclamava mais presença na área, fará pouco sentido que puxe a equipa para trás. Se reconheceu que o problema da falta de chegada dos médios foi tático, não é previsível que os mude – terá, sim, de mudar as instruções que lhes dá, a eles e ao resto do coletivo. Tudo somado, é possível que Portugal altere apenas um jogador relativamente aos onze que jogaram com a França: Éder por Danny ou Quaresma, que até foi o escolhido para falar aos jornalistas.
Se resulta e se, no final, mesmo tendo admitido que não gosta, Quaresma terá ocasião de brindar com champagne a um passo decisivo de Portugal em direção ao apuramento se verá no final do jogo com a Albânia. Que, é bom não esquecer, forma com Gales, Inglaterra, Roménia, Áustria e Itália o lote de seis equipas ainda sem derrotas nesta fase de qualificação.